terça-feira, 6 de maio de 2008

Função gestão do conhecimento

Quais as funções do Gestor do conhecimento? Existe esse gestor nas empresas?

5 comentários:

Marcus Garcia de Almeida disse...

Duas são as preocupações fundamentais para quem pretende exercer a função de Gestor do Conhecimento:

a) Conhecer a Estrutura da Empresa, conseguindo com isso mapear desde os steakholders até os setores e suas influências políticas além dos recursos disponíveis (estrutura, pessoal, mercado, produtos) e;

b) Conhecer a Conjuntura da Empresa, ou momento pelo qual ela passa.

Com esses dois conhecimentos o Gestor do Conhecimento precisa identificar outros dois elementos igualmente importantes:

a) quais são as atividades cotidianas desempenhadas pelos colaborares e;

b) quais são os projetos em andamento.

Ao conhecer a estrutura o Gestor do Conhecimento vivenciará os limites internos e externos da organização, como sua capacidade de produção de bens e/ou serviços, por exemplo, e ao conhecer a conjuntura será possível identificar se o momento pelo qual a organização passa está sendo momentânea ou é reflexo de uma sazonalidade de mercado.


Ao olhar as atividades diárias e os projetos em andamento é possível mapear os recursos superalocados e/ou mal dimensionados/qualificados para exercer suas funções e assim também recomendar ações para redistribuição de atividades, contratação de profissionais adicionais com expertises específicos ou superalocação dos recursos existentes.


Ao dar munição para o nível estratégico combater a falta de informação ou esclarecer episódios de informação sujeita a ruídos o Gestor do Conhecimento está subsidiando não apenas a continuidade da organização, mas fundamentando decisões para a correção de táticas e/ou estratégias, revisão de processos operacionais, investimentos em treinamento de pessoal etc.

Veja mais no artigo do Jorge Bezerra: O Gestor de Planejamento estratégico da informação.

Sabernauta disse...

Gestor do Conhecimento:
NONAKA e TAKEUCHI (1997),em seu livro "Criação de Conhecimento na Empresa", tratam sobre a Equipe de Criação do Conhecimento, que é composta por: profissionais do conhecimento, engenheiros do conhecimento e gerentes do conhecimento. Segundo os autores, a criação do conhecimento acontece por meio da interação desses 3 elementos e a atribuição desses profissionais contempla o armazenamento (acúmulo), a incorporação, a geração e a atualização de conhecimentos, tanto tácitos, quanto explícitos.
(pgs 175 - 184 do livro citado)
at, Marina Wille
marina@sabernetico.com.br

Joelma disse...

BRASIL COMEÇA A VALORIZAR O GESTOR DE CONHECIMENTO

Missão de 20 executivos brasileiros vai à França para apresentar

experiências bem-sucedidas do País



Cresce no Brasil a figura do gestor de conhecimento. É um cargo executivo recente no País, mas que surgiu no exterior há quase 15 anos. “No últimos dois ou três anos, por exemplo, no País, empresas como Siemens, Petrobrás, Aços Villares, Camargo Correa, Copersucar, entre outras, criaram este cargo. As grandes empresas de consultoria, principalmente as internacionais com filiais aqui, já têm esta função há muito mais tempo nos países desenvolvidos e, em muitos casos, com representantes ou responsáveis locais no Brasil.” É o que diz José Cláudio Terra, presidente da TerraForum Consultores, empresa especializada em Gestao do Conhecimento, e-business e e-learning. Ele dá palestra no Congresso Internacional de Gestao do Conhecimento, no dia 9 de junho, na cidade de Lyon, na França. O congresso é organizado pela École de Management de Lyon Executive Education Centre, uma das principais Escolas de Negócio da Europa. O evento conta com conferencistas da França, da Inglaterra, do Japão, dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália. Terra foi o escolhido para representar a América Latina.

Terra lidera uma comitiva de 20 executivos brasileiros. Dentre as empresas em que esses profissionais atuam estão: Fundação Bradesco, Petrobrás, Sadia, Credicard, Senac, International Engines, Solectron, Netcallcenter, Bireme, Transpetro, Anvisa, ABB (Asea Brown Bovery). Vários destes executivos participaram do programa Gestao do Conhecimento na Prática, um programa de educação executiva organizado em conjunto pela TerraForum e pela Fundação Instituto de Administração (FIA), entidade conveniada à FEA-USP.

Junto com os estudantes da FIA estarão também os estudantes de MBA da École de Management de Lyon e executivos franceses. O evento contará com nove palestras e três workshops durante os três dias, incluindo palestra de Ikujiro Nonaka, guru da área de gesta do conhecimento.



Estado - Como está a profissão de gestor do conhecimento no Brasil?

José Cláudio Terra - Várias grandes empresas começam a ter este cargo formalmente em suas estruturas. Em função disso, há uma série de cursos de pós-graduação e extensão voltados para esta área. O curso que a TerraForum tem organizado junto com a Fundação Instituto de Administração (FIA), entidade conveniada à FEA-USP, é um exemplo disto. Outras universidades de vários estados brasileiros também já oferecem cursos nesta área. Há, ademais, inúmeras dissertações de mestrado e doutorado sobre o tema.



Estado - Quando as empresas brasileiras começaram a esboçar ou criar essa profissão?

Terra - É algo relativamente recente. Nos últimos dois ou três anos empresas como Siemens, Petrobrás, Aços Villares, Camargo Correa, Copersucar, entre outras, criaram este cargo. As grandes empresas de consultoria , principalmente as internacionais com filiais aqui, já têm esta função há muito mais tempo nos países desenvolvidos e, em muitos casos, com representantes ou responsáveis locais no Brasil. No exterior, este cargo já existe oficialmente desde meados dos anos 90.



Estado - O que esse profissional faz numa grande empresa?

Terra - Este é um profissional que trabalha tanto com gestao de informações, quanto com gestão de aprendizado e planejamento estratégico. Neste sentido, é um profissional bastante especial, pois ele precisa ter uma boa noção das principais ferramentas de informática disponíveis (portais, gestao de documentos, e-learning, busca, etc) , dos objetivos estratégicos da organizaçao e das práticas e mesmo das teorias sobre aprendizado e desenvolvimento de competências. No final das contas, este é um profissional que ajuda as organizações gerenciarem melhor seus ativos intangíveis, suas bases de conhecimento, suas competências e a monitorar o ambiente competitivo, tratando, filtrando e encaminhando informações relevantes para o negócio.



Estado - De que maneira?

Terra - O escopo do trabalho deste profissional pode se limitar a gerenciamento de portais, de bancos de dados, de mapas de competência, de banco de melhores práticas ou ter uma perspectiva bastante ampla, influenciando decisivamente os processos de inteligência competitiva, os planos de desenvolvimento de competências e mesmo o planejamento estratégico da organizaçao.



Estado - Qual a remuneraçao desse profissional?

Terra - Não tenho esta informação em termos financeiros. Posso, no entanto, ressaltar que nas grandes empresas que conheço aqui no Brasil, este cargo é ocupado por um gerente sênior. No exterior, vários destes profissionais ocupam cargos de nível de diretor com títulos como Chief Knowledge Office (CKO).



Estado- Qual a diferença entre o profissional de gestão do conhecimento brasileiro e o estrangeiro?

Terra - Creio que a principal diferença é o grau de responsabilidade e influência. No exterior as empresas inovadoras compreendem melhor como o conhecimento, os ativos intangíveis e a inovação geram valor. No exterior há uma compreensão muito maior que o recurso conhecimento é o único recurso empresarial eu pode gerar retornos exponenciais. O conhecimento e os ativos intangíveis têm uma propriedade única: são ativos que podem ser usados muitas vezes, inclusive ao mesmo tempo, sem desgaste. Ativos como máquinas, equipamentos, terra e mesmo dinheiro não podem ser usados simultaneamente.

No Brasil essa coisa de “conhecimento” ainda é, em grande medida, tratada de forma intuitiva ou como uma preocupação de RH. Isto é resultado de anos de uma cultura em muitas organizações voltadas para resultados de curto prazo. No exterior a dimensão conhecimento é tratada de forma mais explicita, deliberada e mutidimensional nos planos e ações estratégicas das grandes organizações.



Estado - De que forma a gestão do conhecimento é vista no Brasil (conceito)?

Terra - Eu tenho uma definição própria: Gestao do Conhecimento significa organizar as principais políticas, processos e ferramentas gerenciais e tecnológicas à luz de uma melhor compreensão dos processos de geração, identificação, validação, disseminação, compartilhamento, proteção e uso dos conhecimentos estratégicos, para gerar resultados (econômicos) para a empresa e benefícios para os colaboradores internos e externos (stakeholdes).



Estado - Não há muita confusão em relação ao termo?

Terra - Não sei dizer exatamente qual a definição adotada por diferentes empresas. Diria, no entanto, que, às vezes, a gestão do conhecimento se confunde com estratégias de aprendizado (normalmente quando a gestao do conhecimento (GC) evoluiu a partir de um profissional ou área de GC), com o uso de sistemas de informação (quando evolui a partir da área de informática) , com inteligência competitiva (quando associada ao planejamento estratégico) e, finalmente, com gestão de propriedade intelectual (quando motivada por defesa e proteção de tecnologias e segredos de negócio). O ideal seria integrar várias destas preocupações conforme a minha definição acima.

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo; Seção: Classificados; Pg. 4; 27/05/2004

Maira disse...

Davenporth (1998) comenta "No futuro, o quadro de pessoal da informação vai ser consideravelmente diferente dos bibliotecários e dos analistas de sistemas. Esses novos profissionais agregarão valor às informações fornecidas aos usuários e desempenharão papéis diferentes dos atuais - entre eles condensar, contextualizar, aconselhar o melhor estilo e escolher os meios corretos de apresentação da informação."
Diante do exposto, acredito que esse profissional deverá conter habilidade de um bibliotecário, administrador, jornalista, analista de sistemas, economista. Enfim, um profissional multidisciplinar com capacidade de econtrar a informação e reagir rápido às mudanças.

Ricardo disse...

Marina comentou a equipe proposta no livro do Nonaka e Takeuchi (1997). Vejam que temos termos novos. Profissionais (no plural, quem são?) do conhecimento, engenheiros do conhecimento (seria o mesmo knowledge engineer da Inteligência Artificial, anos 90?) e gerentes do conhecimento (seria o mesmo que gestor?)

E cuidado com a simplificação de linguagem colocada no livro: "armazenamento (acúmulo), a incorporação, a geração e a atualização de conhecimentos."

Maíra citou Davenport. Vejam que a colocação dele já tem mais de 10 anos. Como podemos analisar isso hoje?

Maíra, eu também concordo com as suas conclusões, com uma ressalva. De economistas temos todos um pouco, mas no sentido técnico, ainda é um campo para especialistas